08/08/2017 15:50

ESQUEMA DA FAESPE

Gaeco intercepta conversa entre acusada de fraudes e deputado Nininho

REPÓRTER MT
Gaeco intercepta conversa entre acusada de fraudes e deputado Nininho

Relatório do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) aponta que Jocilene Rodrigues de Assunção, funcionária da Faespe (Fundação de Apoio ao Ensino Superior Público Especial), alvo da Operação Convescote, foi flagrada, através de interceptações telefônicas, em conversa com um suposto deputado, em agosto de 2016.

Segundo o Gaeco, Jocilene ligou para uma pessoa, no dia 3 de agosto, a quem chamou de “deputado” e falou que precisava fazer uma visita a ele. “Em resposta, deputado (usuário do terminal com cadastro e nome da Construtora Deterra LTDA) fala que Jocilene não o convida para vê-la”, apontou o relatório.

O documento não revela quem seria o suposto parlamentar, mas a conversa continua com a funcionária da Faespe comentando com seu interlocutor de que chegou a pensar em chamá-lo para tomar um café e tem como resposta que se fosse chamado, o “deputado” teria ido.

Em continuidade ao diálogo, Jocilene pergunta se o deputado estará aí amanhã (provavelmente, referindo-se à Assembleia Legislativa de MT), o deputado responde que sim. Jocilene fala que vai passar aí de manhã, que o Charles marcou para estar no local às 9h30 (provavelmente, referindo-se a uma reunião com o deputado) e pergunta qual o horário o deputado chega ao local. Em resposta, o deputado fala que chega às 8h da manhã”, destacou o Gaeco, em outro trecho.

Apesar de não especificar de quem seria ramal interceptado, o Gaeco revelou que a construtora Deterra é de propriedade do filho do deputado estadual Ondanir Bortolini, o Nininho (PSD), Fausto Bortolini, e de Valéria Bortolini, parente do parlamentar.

No documento, a funcionária da Faespe se refere a “Charles”, que é Tschales Franciel, ex-secretário-geral da Assembleia Legislativa, também envolvido no esquema de fraudes da fundação.

Jocilene é apontada pelos promotores do Gaeco como um dos líderes do esquema de fraudes da Faespe, que lesou os cofres públicos através de contratos fictícios com órgãos públicos, como a Assembleia, Tribunal de Contas do Estado, Secretaria de Infraestrutura e Prefeitura de Rondonópolis, entre os anos de 2015 e 2016.

As fraudes eram realizadas com a utilização de empresas fantasmas, que se utilizam de notas fiscais falsas, atestando serviços não prestados às instituições. Jocilene organizava o esquema junto com o marido, o servidor do TCE, Marcos José da Silva.

O Gaeco denunciou 22 pessoas pelo esquema, todos tornaram-se réus em ação judicial, que tramita na 7ª Vara Criminal de Cuiabá. A Operação Convescote foi deflagrada no dia 20 de junho.

 


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