09/08/2017 10:18

CRIMES EM MT

Polícia indicia 5 por trama que levou à morte de pai, filho e mais 2

MIDIA NEWS
Polícia indicia 5 por trama que levou à morte de pai, filho e mais 2

A Polícia Civil indiciou cinco pessoas envolvidas no desaparecimento e morte de dois fazendeiros, um vaqueiro e um advogado, ocorridos em 2016.

As investigações sobre o caso foram concluídas pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil, junto com a Delegacia de Chapada dos Guimarães (67 km ao Centro-Sul de Cuiabá).

O inquérito policial foi encaminhado ao Poder Judiciário de Mato Grosso, em 1º de agosto.

Pelos quatro homicídios, foram indiciados Mário da Silva Neto e Thiago Augusto Falcão de Oliveira, que estão presos preventivamente.

Além dos assassinatos, eles vão responder ainda por subtração de bens e veículos pertencentes às vítimas, ocultação e destruição de cadáver, falsificação de documentos e associação criminosa.

Estes últimos crimes também foram atribuídos a Rodinei Nunes Frazão, de 48 anos, Evangelista Matias Sales e João Edgar da Gama.

Os suspeitos estão envolvidos na trama que levou ao assassinato dos fazendeiros Tirço Bueno Prado e o filho Joneslei Bueno Prado, em 9 de maio de 2016.

As vítimas eram moradoras de Apucarana (PR) e adquiriram uma propriedade rural no município de Planalto da Serra (256 km ao Sul da Capital), denominada Fazenda “Sapopema”, na estrada que liga o Município a Paranatinga (373 km ao Sul de Cuiabá).

No local, pai e filho foram mortos depois de anunciarem o interesse na venda ou arrendamento da propriedade.

O terceiro assassinato é do vaqueiro Claudinei Pinto Maciel, de 29 anos, no dia 13 de maio de 2016, quando ele foi à fazenda das vítimas para tentar achar uma vaca que tinha fugido da área vizinha à Sapopema.

A quarta vítima é o advogado Sílvio Ricardo Viana Moro, morto no dia 18 de maio de 2016. O corpo foi localizado, decapitado, no dia 19 de julho daquele ano, na Estrada do Lago do Manso, nas proximidades da comunidade Bom Jardim, em Chapada dos Guimarães.

Conforme a investigação, ele foi assassinado por tomar conhecimento das mortes e não concordar com os supostos planos em forjar o contrato de arrendamento da fazenda da família Prado. 

A investigação do desaparecimento dos fazendeiros teve início na Delegacia de Chapada dos Guimarães.

Pai e filho moravam sozinhos no imóvel rural, em uma região isolada, sem sinal para comunicação via telefone. A atividade econômica da propriedade era a pecuária.

Conforme o delegado Diego Alex Martimiano da Silva, inicialmente a escassez de informações para identificar testemunhas foi a maior dificuldade da investigação.

”O local é de difícil acesso, ermo... Tivemos dificuldade grande para identificar testemunhas desse crime extremamente complexo. Os corpos foram encontrados carbonizados e nossa maior dificuldade foi no tocante à identificação desses corpos e localização de testemunhas que pudessem ajudar na elucidação”, disse.

O delegado acrescentou que o crime ocorreu em duas etapas. No primeiro momento, ele diz que os suspeitos queriam grilar a fazenda, simulando o contrato de compra ou arrendamento.

Mas os acusados, segundo a Polícia, acabaram por matar os proprietários que estavam na terra. “As vítimas moravam num local isolado e os criminosos dificilmente acharam que seriam descobertos”, concluiu Diego.

Em meados de 2015, as vítimas, diante das dificuldades, decidiram que iriam vender a fazenda ou mesmo arrendá-la. Elas anunciaram o imóvel rural, ocasião em que conheceram Rodinei Nunes Frazão e o advogado Sílvio Ricardo Viana Moro, ambos residentes em Campo Verde (131 km ao Sul de Cuiabá).

Segundo a Polícia Civil, os dois agiam como “corretores informais” e se colocaram à disposição de pai e filho para oferecer a propriedade e auxiliar no processo de regularização da documentação da fazenda, que ainda não estava escriturada, pois havia apenas a “posse”.

Em 2016, Rodinei e Sílvio passaram a realizar negócios de corretagem e se tornaram amigos de Mário da Silva Neto, natural de Nobres e residente em Rondonópolis.

Mário Neto é considerado pela Polícia uma pessoa de "alta periculosidade".

O delegado explica que grilar a fazenda da família Prado foi plano elaborado por Rodinei e Mário Neto. A ideia, segundo apuraram as investigações, era fazer o arrendamento da propriedade, mas não efetuar o pagamento.

Morte dos fazendeiros

Assim, no dia 9 de maio de 2016, Rodinei teria levado Mário Neto até a fazenda Sapopema e o apresentado ao fazendeiro Tirço Prado como interessado na propriedade. Neto começou a discutir com Prado e o filho Pradinho (Joneslei) os termos da proposta de arrendamento.

Em meio à discussão, Tirço Prado deixou claro que não sairia da propriedade, que arrendaria a área, mas continuaria morando no local. Isso não teria sido aceito por Neto. Segundo a Polícia Civil, diante da insistência do fazendeiro, Neto teria sacado um revólver calibre 38 e efetuado dois disparos, atingindo Tirço Prado e Joneslei Prado, na cabeça.

Após os homicídios, o delegado diz que Neto teria determinado que os corpos fossem destruídos. Os dois teriam acendido uma fogueira, deixando os corpos queimando no local. Em seguida, levaram a caminhonete Hilux branca das vítimas.

Na manhã seguinte, os dois teriam retornado ao local do crime para realizar a “limpeza” dos restos mortais. Também estavam presentes neste dia Thiago Augusto Falcão.

Conforme as investigações, os três - Mário Neto, Rodinei e Thiago - teriam juntado os ossos e os poucos restos mortais que resultaram da fogueira, colocaram em um saco e jogaram no Rio Mata Grande, nas proximidades da fazenda.

Com a eliminação dos donos da Fazenda Sapopema, os três tomaram posse da propriedade e todo o patrimônio ali existente, entre eles 70 cabeças de gado e o maquinário agrícola.

Eles teriam um contrato de arrendamento, como se Tirço Prado realmente tivesse arrendado a propriedade a eles. Nesse processo, o advogado Sílvio Ricardo Viana Moro foi chamado para auxiliar o grupo.

Morte do Vaqueiro

No dia 13 de maio de 2016, Thiago Falcão foi até a fazenda para dar início ao recolhimento do gado. Por volta das 16h30, teria sido surpreendido pelo vaqueiro Claudinei Pinto Maciel, de 29 anos.

O vaqueiro era morador de um sítio vizinho e havia ido à fazenda na tentativa de encontrar uma vaca que estava perdida. Ele não sabia das mortes ocorridas na propriedade. A investigação apontou que o homicídio se deu porque estava no “lugar errado, na hora errada”.

Ao se deparar com o vaqueiro que, certamente, descobriria a ausência dos donos da fazenda Sapopema, Thiago teria disparado contra o vaqueiro. A vítima caiu em frente à cerca de acesso à sede da Fazenda. O corpo também teria sido queimado.

Na madrugada seguinte, 14 de maio de 2016, os restos mortais de Claudinei foram encontrados pelos familiares, residentes nas proximidades. A carbonização foi quase completa e a identificação definitiva do corpo somente foi possível por meio de exame de DNA, a partir de material fornecido pelos familiares.

Morte do advogado

Ao tomar conhecimento das mortes ocorridas na fazenda e do plano dos autores, o advogado Silvio Ricardo Viana Moro não concordou e advertiu que tudo acabaria sendo descoberto pela Polícia.

Segundo a Polícia, pelo fato de não confiarem mais no advogado, Mário Neto e Thiago, em 18 de maio de 2016, convidaram Sílvio para irem de Campo Verde até a região de Bom Jardim, em Nobres.

Na Estrada do Manso, próximo a Bom Jardim, teriam assassinado o advogado. O corpo foi deixado no mato e foi encontrado dois meses depois, no dia 19 de julho de 2016. A vítima foi decapitada para dificultar a identificação.

Crime complexo

O delegado Luiz Henrique de Oliveira, coordenador de Inteligência da Polícia Civil, destacou a complexidade da investigação e os esforços de todos, polícia e perícia, nos esclarecimentos dos crimes, em resposta a angústia das famílias.

“Apesar de toda complexidade dessa investigação, foi possível estabelecer com segurança a materialidade dos crimes investigados, possibilitando trazer à tona a verdade dos fatos, fornecendo aos familiares dessas quatro vítimas uma resposta segura sobre a ocorrência dos crimes, todos hediondos, e sua autoria”, afirmou.

Além da Diretoria de Inteligência e da Delegacia de Chapada dos Guimarães, participaram do trabalho operacional as Delegacias de Nobres, Campo Verde e a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis.


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